Moda insustentável: a polêmica da #arezzo

Sustentabilidade é maior questão da atualidade, o tema é debatido por todos, de governantes às donas de casa. Pensamos em maneiras de preservar e minimizar nossas ações sobre o meio ambiente, e, também de reutilizar praticamente tudo que consumimos, inclusive as nossas roupas.

No post O que moda sustentável?, disse que moda é um código que acompanha o vestuário e o tempo, e que tem sido utilizada como uma via de expressão e identificação. Assim, o simples uso das roupas no dia-a-dia ganha um contexto maior, político, social, e até ambiental.



Diante desta função social da moda, vários estilistas têm desenvolvido coleções sustentáveis. O estilista Alexandre Herchcovitch, por exemplo, mostrou, durante a São Paulo Fashion Week do ano passado, uma coleção masculina confeccionada com tecido EcoSimple, feito com técnicas de upcycling.

Toda essa discussão e ações envolvendo sustentabilidade faz com que seja difícil de acreditar que em pleno século XXI, animais sejam mortos para adornar roupas, e acessórios de moda.

Ontem, a marca Arezzo entrou para os Trendings Topics do Twitter por causa de sua nova coleção, que utiliza pele de animais. A hashtag #arezzo ficou entre os dez assuntos mais falados no mundo, trazendo centenas de criticas a marca.

A coleção intitulada Pelemania era apresentada no site da marca da seguinte forma: “Hit glamuroso da temporada. Não pode faltar no guarda-roupa da fashionista”. O presidente do grupo Arezzo, Anderson Birman, disse em entrevista a Folha.com que foram importadas 300 peças com pele raposa. “A pele de raposa usada nos produtos é de criatório, não é de animal selvagem, não tem dano nenhum a natureza, isso é que dá sustentabilidade”, afirmou o presidente do grupo.

Nesta segunda, a Arezzo divulgou nota afirmando a retirada de todas as lojas do país de produtos da coleção Pelemania que usavam em sua confecção pele de raposa. Na nota oficial a empresa diz que “entende e respeita as opiniões e manifestações contrárias ao uso de peles exóticas na confecção de produtos de vestuário e acessórios”.

Ainda na entrevista publicada na Folha.com, o presidente do grupo Arezzo disse ser: “absolutamente sensível a ter um planeta cada vez mais agradável, bonito e preservado”. Infelizmente, nem ele, nem a empresa a qual representa mostraram isso com sua nova coleção.

Duvido que a retirada da coleção da loja tenha sido feita por uma admissão do erro, ou de uma sensibilização com a causa ambientalista. Tratou-se apenas de jogada de marketing. Se for possível tirar alguma coisa boa do acontecimento, com certeza seria a mobilização das pessoas em criticar a marca e forçar a retirada dos produtos.

Espero que essa mesma mobilização aconteça na luta contra a reforma no Código Floresta, e contra a hidrelétrica de Belo Monte. Batalhas muito mais difíceis de serem travadas, contra um governo que diante das questões ambientais beira a ditadura, e com enormes consequências ao meio ambiente.

créditos:essetaldemeioamiente

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