O poder público

Hoje quase não se questiona que um ambiente equilibrado depende da ação de cada pessoa, da criação de uma consciência ecológica individual e coletiva e de uma educação ambiental eficaz.

Porém, para a realização de ações de grande porte é necessária a participação governamental. Isso ocorre porque, por mais que queiramos mobilizar uma grande quantidade de pessoas, essa ação se torna muitas vezes inviável, pois a pluralidade de ideias, vontades e anseios muitas vezes se chocam, e conseguir consenso se torna ainda mais desafiador.

Nesse sentido, buscar o auxílio do poder público pode ser a resposta para os mais diversos problemas. Não que isso signifique compactuar ou aceitar qualquer imposição, mas sim, exigir por meio de mecanismos democráticos os direitos do cidadão e da comunidade.

E na temática ambiental, se observamos bem os grandes problemas se encontram dentro da própria esfera pública. Na questão do aquecimento global, saneamento básico, abastecimento de água, licenciamento ambiental, geração de energia renovável e alteração ou criação de legislação especifica; os governos ainda são os principais responsáveis, ficando a cargo das ONGs, movimentos e indivíduos a busca por meios que pressionem e conscientizem a governança sobre a importância das propostas.

Como exemplo, o aquecimento do planeta demanda ações integradas e de grande impacto, como a alteração da matriz energética, investimentos em transporte público, diminuição das queimadas e do desmatamento. Os investimentos em saneamento tanto na captação, distribuição, coleta, tratamento de água, esgoto e resíduos sólidos são ainda bastantes elevados e caso fique a cargo da iniciativa privada a fiscalização governamental deve ser rígida. A criação de leis e a fiscalização das fontes de poluição é unicamente uma tarefa do legislativo e executivo, respectivamente, que tem o poder de impedir a instalação, exigir o cumprimento da legislação e caso seja necessário interditar a empresa.

Já o maior desafio dos governos é a mudança da matriz energética, que impacta diretamente na contribuição das emissões dos GEE – gases do efeito estufa, pois os investimentos são altíssimos e os interesses econômicos são imensos, seja na exploração de petróleo ou na construção de mega-usinas hidrelétricas. E nesses casos ,a busca por novas formas de geração de energia esbarra em outros problemas como a falta de tecnologia, a falta de mão de obra, projetos sem consistência.

A energia solar, apesar de abundante, ainda necessita de uma imensa estrutura para geração de eletricidade, e no caso da eólica, há de ser em locais com ventos constantes. Além, é claro, do tempo de adaptação das empresas geradoras, distribuidoras e das tecnologias secundárias.

Assim, só com pressão sobre os órgãos governamentais e principalmente em cima dos políticos, que são mais sensíveis(?) com relação à opinião pública, é que soluções efetivas para o meio ambiente poderão começar a serem debatidas e quem sabe implementadas.

Solte o verbo!